terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Krsna a Suprema Personalidade de Deus - Capítulo 7 - A Salvação de Trinavarta

A Suprema Personalidade de Deus, Krishna, é sempre pleno com seis opulências, a saber, riqueza completa, força completa, fama completa, conhecimento completo, beleza completa e renúncia completa. O Senhor aparece em várias formas de encarnações completas e eternas. A alma condicionada tem imensa oportunidade de ouvir sobre as atividades transcendentais do Senhor nessas várias encarnações. O Bhagavad-gita afirma: janma karma ca me divyam. Os passatempos e atividades do Senhor não são materiais; são além da concepção material. Mas a alma condicionada pode obter benefício por ouvir sobre essas atividades incomuns. Ouvir é uma oportunidade de se associar com o Senhor; ouvir sobre Suas atividades é evoluir para a natureza transcendental; simplesmente por ouvir. A alma condicionada tem uma aptidão natural para ouvir sobre outras almas condicionadas na forma de ficção, drama e romance. Essa inclinação para ouvir sobre outros pode ser utilizada para ouvir os passatempos do Senhor. Assim a pessoa pode evoluir imediatamente para sua natureza transcendental. Os passatempos de Krishna não são apenas belos; também são muito agradáveis para a mente.

Se alguém aproveita a vantagem de ouvir os passatempos do Senhor, a contaminação material de poeira, acumulada no coração por causa da longa associação com a natureza material, pode ser limpa imediatamente. O Senhor Chaitanya também instruiu que simplesmente por ouvir o nome transcendental do Senhor Krishna, a pessoa pode limpar o coração de toda contaminação material. Existem vários processos de auto-realização, mas esse processo de serviço devocional; do qual ouvir é a função mais importante; quando adotado por qualquer alma condicionada, automaticamente a limpará da contaminação material e a capacitará a realizar sua posição constitucional real. Vida condicionada se deve unicamente a essa contaminação, e logo que é limpa, naturalmente a função dormente do ser vivo; prestar serviço ao Senhor; desperta. Ao desenvolver sua relação eterna com o Supremo Senhor, a pessoa se torna elegível para criar amizade com os devotos. Maharaja Parikshit recomendou, por experiência prática, que todos devem tentar ouvir os passatempos transcendentais do Senhor. Esta obra sobre Krishna é destinada a esse propósito, e o leitor pode aproveitar a oportunidade para alcançar a meta última da vida humana.

O Senhor, por Sua misericórdia sem causa, descende a este mundo material e exibe Suas atividades exatamente como um ser humano ordinário. Infelizmente, os impersonalistas, ou a classe de pessoas ateístas, consideram Krishna como um homem ordinário como si próprios, e assim O menosprezam. Isso é condenado no Bhagavad-gita pelo próprio Senhor em pessoa quando Ele diz: avajananti mam mudhah. Os mudhas, ou idiotas, acham que Krishna é um homem ordinário ou um homem um pouco mais poderoso; por causa de seu imenso infortúnio, não podem aceitá-Lo como a Suprema Personalidade de Deus. Às vezes, essas pessoas desafortunadas se apresentam falsamente como encarnações de Krishna sem nenhuma referência às Escrituras autorizadas.

Quando Krishna cresceu um pouco mais, começou a se virar de bruços; Ele não ficava só deitado de costas. E outra cerimônia foi celebrada por Yashoda e Nanda Maharaja: o primeiro aniversário de Krishna. Eles organizaram a cerimônia do primeiro aniversário de Krishna, que ainda é observada por todos os seguidores dos princípios Védicos. (A cerimônia do nascimento de Krishna é observada na Índia por todos hindus, sem levar em conta os diferentes pontos de vista sectários). Todos os pastores e pastoras de vacas foram convidados a participar, e chegaram em júbilo. Uma excelente banda tocava, e as pessoas reunidas apreciavam. Todos os brahmanas eruditos foram convidados, e cantaram hinos Védicos para a boa fortuna de Krishna. Durante o canto dos hinos Védicos e do som das bandas, Krishna foi banhado por mãe Yashoda. Essa cerimônia de banho tem o nome técnico abhisheka, e até hoje é observada em todos os Templos de Vrindavana no Dia de Janmastami, ou dia do aniversário do Senhor Krishna.

Nessa ocasião, mãe Yashoda organizou a distribuição de uma grande quantidade de cereais, e vacas de primeira classe decoradas com adereços de ouro ficaram prontas para serem dadas em caridade aos respeitáveis brahmanas eruditos. Yashoda tomou banho e se vestiu belamente, pegou o bebê Krishna, devidamente vestido e banhado, em seu colo, e se sentou para ouvir os hinos Védicos cantados pelos brahmanas. Enquanto ouvia o canto dos hinos Védicos, o bebê pareceu que caiu no sono, então mãe Yashoda silenciosamente O pôs no berço. Ocupada com a recepção de todos amigos, parentes e habitantes de Vrindavana naquela ocasião, ela se esqueceu de alimentar o bebê com leite. Ele começou a chorar, de fome, mas mãe Yashoda não pôde ouvi-Lo chorar por causa dos vários barulhos. O bebê, entretanto, ficou bravo porque estava com fome e Sua mãe não Lhe dava atenção. Então, Ele levantou Suas pernas e começou a chutar com Seus pés de lótus como um bebê ordinário. O bebê Krishna tinha sido colocado em baixo de um carrinho de mão, e enquanto chutava com Suas pernas, acidentalmente tocou a roda do carro, que caiu. Havia vários utensílios e pratos de metal empilhados no carro, e todos caíram com muito barulho. A roda do carro soltou do eixo, e os raios da roda se quebraram e se espalharam por toda parte. Mãe Yashoda e todas as gopis, também Maharaja Nanda e os pastores de vacas, todos ficaram abismados como o carro pôde se espatifar sozinho. Todos homens e mulheres reunidos para a cerimônia sagrada se aglomeraram em volta e começaram a supor como o carro pôde se quebrar. Ninguém conseguiu determinar a causa, porém algumas crianças incumbidas de brincar com o bebê Krishna informaram à multidão que foi por causa dos chutes de Krishna com Seus pés na roda. Elas garantiram para a multidão que viram o ocorrido com seus próprios olhos, e defenderam sua afirmação com muita firmeza. Alguns ouviam a declaração das crianças, mas outros diziam: "Como podem acreditar no que essas crianças dizem"? Os pastores e pastoras de vacas não entendiam que a todo-poderosa Personalidade de Deus estava deitada ali como um bebê e podia fazer qualquer coisa. Tanto o possível quanto o impossível estavam em Seu poder. Enquanto a discussão continuava, o bebê Krishna chorou. Sem se queixar, mãe Yashoda pegou o bebê em seu colo e chamou os brahmanas eruditos para cantarem os hinos Védicos sagrados para anular os maus espíritos. Ao mesmo tempo, ela deixou o bebê mamar em seu seio. Se uma criança mama bem no seio da mãe, supõe-se que está fora de todo perigo. Depois disso, os pastores de vacas mais fortes consertaram o carro, e todas as coisas espalhadas foram arrumadas direito como antes. Os brahmanas então começaram a oferecer oblações no fogo de sacrifício com iogurte, manteiga, grama kusha, e água. Eles adoraram a Suprema Personalidade de Deus para a boa fortuna da criança.

Os brahmanas que estavam presentes naquela ocasião eram todos qualificados porque não tinham inveja; nunca se entregaram à falsidade, não eram orgulhosos, eram não-violentos, e nunca clamaram nenhum prestígio falso. Eram todos brahmanas fidedignos, e não havia nenhum motivo para achar que suas bênçãos eram inúteis. Com fé firme nos brahmanas qualificados, Nanda Maharaja pegou seu filho no colo e O banhou com água misturada com várias ervas enquanto os brahmanas cantavam hinos do Rg, Yajur e Sama Vedas.

De fato, sem ser um brahmana qualificado, ninguém deve ler mantras dos Vedas. Aqui está a prova de que os brahmanas eram qualificados com todos os sintomas dos brahmanas. Maharaja Nanda também tinha fé firme neles. Por isso tiveram permissão para a realização das cerimônias ritualísticas com canto dos mantras Védicos. Existem muitas variedades diferentes de sacrifícios recomendados para propósitos diferentes, mas todos os mantras devem ser cantados por brahmanas qualificados. Nesta Era de Kali não existem tais brahmanas qualificados, por isso todos os sacrifícios Védicos são proibidos. Sri Chaitanya Mahaprabhu portanto recomendou somente um tipo de sacrifício nesta era, a saber, sankirtana-yajña, ou simplesmente cantar o maha-mantra: Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare. Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare. À medida que os brahmanas cantavam os hinos Védicos e realizavam as cerimônias ritualísticas, Nanda Maharaja pela segunda vez deu grandes quantidades de cereais e muitas vacas para eles. Todas as vacas que eram dadas em caridade eram cobertas com belos tecidos bordados com ouro, e seus chifres eram decorados com anéis de ouro; seus cascos eram cobertos com placas de prata, e usavam colares de flores. Ele deu muitas vacas apenas para o bem estar de seu filho maravilhoso, e os brahmanas em troca deram suas bênçãos sinceras. E as bênçãos oferecidas por brahmanas capacitados nunca são frustradas.

 

Certo dia, logo depois dessa cerimônia, quando mãe Yashoda ninava seu bebê no colo, sentiu o bebê extremamente pesado, e sem conseguir carregá-Lo, ela O colocou no chão sem querer. Depois de um tempo, ela se ocupou nos afazeres domésticos. Nesse momento, um dos servos de Kamsa, conhecido como Trinavarta, instruído por Kamsa, apareceu lá na forma de um furacão. Ele pegou a criança em seus ombros e levantou uma grande tempestade de poeira por toda Vrindavana. Por causa disso, a visão de todos ficou encoberta por alguns momentos, e toda a área de Vrindavana ficou densamente escura tanto que ninguém conseguia ver nem si mesmo ou qualquer outro. Durante essa grande catástrofe, mãe Yashoda não podia ver seu bebê, que foi levado pelo furacão, e começou a chorar comoventemente. Ela caiu no chão do mesmo modo que uma vaca que acabou de perder seu bezerro. Enquanto mãe Yashoda chorava tão desesperadamente, todas as pastoras de vacas vieram imediatamente e começaram a procurar o bebê, mas ficaram desapontadas por não conseguirem achá-Lo. O demônio Trinavarta que levou o bebê Krishna em seus ombros subiu muito alto no céu, mas o bebê assumiu tamanho peso que subitamente ele não conseguiu ir mais alto, e foi obrigado a parar suas atividades de furacão. O bebê Krishna se fez muito pesado e começou a fazer o demônio descer com Seu peso. O Senhor agarrou seu pescoço. Trinavarta sentiu o bebê tão pesado quanto uma grande montanha, e tentou se livrar de Suas garras, mas não conseguiu, e seus olhos saltaram de suas órbitas oculares. Com um grito aterrorizante, ele caiu no chão de Vrindavana e morreu. O demônio caiu igual a Tripurasura, que foi traspassado pela flecha do Senhor Shiva. Ele caiu no chão de pedra, e seus membros quebraram. Seu corpo ficou visível para todos habitantes de Vrindavana.


Quando as gopis viram o demônio morto e o bebê Krishna a brincar em seu corpo, imediatamente pegaram Krishna com muita afeição. Os pastores e pastoras de vacas ficaram muito felizes de ter seu amado bebê Krishna de volta. Nesse momento, começaram a falar sobre o milagre do demônio levar embora o bebê para devorá-Lo e não conseguir fazer isso; em vez disso, caiu morto. Alguns defendiam a situação: "Isso foi bom porque quem é muito pecaminoso morre por causa de suas reações pecaminosas, e o bebê Krishna é piedoso; por isso Ele está salvo de todos tipos de situações temerosas. E nós também devemos ter realizado grandes sacrifícios em nossas vidas prévias, adorado a Suprema Personalidade de Deus, dado muita riqueza em caridade e atuado de modo filantrópico para o bem estar dos seres humanos em geral. Por causa dessas atividades piedosas, a criança está salva de todo perigo".


As gopis reunidas lá falaram entre elas: "Que tipo de austeridades e penitências nos submetemos em nossas vidas prévias! Devemos ter adorado a Suprema Personalidade de Deus, oferecido diferentes tipos de sacrifícios, feito caridades e realizado muitas atividades de bem estar para o público como cultivar figueiras sagradas e escavar poços. Como resultado dessas atividades piedosas, recebemos de volta nosso bebê, mesmo com Ele tido como morto. Agora Ele voltou para animar Seus familiares". Depois de observar esses acontecimentos milagrosos, Nanda Maharaja começou a pensar nas palavras de Vasudeva repetidamente.

Depois desse incidente, certa vez, mãe Yashoda alimentava seu filho e O acariciava com imensa afeição, quando jorrou uma grande quantidade de leite de seu peito, e assim que abriu a boca da criança com seus dedos, subitamente, ela viu a manifestação universal dentro da boca Dele. Ela viu dentro da boca de Krishna o céu inteiro, inclusive as luminárias, estrelas em todas direções, o Sol, Lua, fogo, ar, mares, ilhas, montanhas, rios, florestas, e todos os outros seres vivos móveis e imóveis. Ao ver isso, o coração de mãe Yashoda começou a palpitar, e ela murmurou consigo mesma: "Como isso é espantoso"! Ela não conseguia falar nada, porém simplesmente fechou seus olhos. Ficou absorta em pensamentos maravilhosos. Krishna mostrar a forma universal da Suprema Personalidade de Deus, mesmo quando deitado no colo de Sua mãe, prova que a Suprema Personalidade de Deus é sempre a Suprema Personalidade de Deus, seja quando Se manifesta como uma criança no colo de Sua mãe ou como um cocheiro no campo de batalha em Kurukshetra. A invenção do impersonalista, de que uma pessoa pode se tornar Deus pela meditação ou por algumas atividades materiais artificiais, aqui é declarada falsa. Deus é sempre Deus em qualquer condição ou status, e os seres vivos são sempre partes e parcelas do Supremo Senhor. Eles nunca podem ser iguais ao poder sobrenatural inconcebível da Suprema Personalidade de Deus.


Assim termina o significado Bhaktivedanta do Sétimo Capítulo de Krishna, "Salvação de Trinavarta".
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Abaixo alguns questionamentos que podemos ter como base para aprofundar os estudos e adquirir melhor compreensão:

1- Neste capítulo temos 3 passatempos de Krsna. Explique cada um deles e ressalte o que mais lhe chamou a atenção. 

2 -  Este demônio representa o segundo obstáculo a ser vencido para se penetrar no humor de Vraja. Ele representa os “Argumentos falsos” que alguns filósofos e lógicos se utilizam para rebater a filosofia de Bhakti. 


Guia para estudos:

1 – O que você faz quando se sente em perigo?

Pensa em Krsna imediatamente ou seus sentimentos ficam confusos?


2 – O que Kamsa pediu para Putana?

Ela concordou em realizar?


3 – O que o capítulo fala sobre as bruxas?


4 – Como Putana pôde entrar em Vrndavana sem interrupções?

Como ela se apresentava?

Ela conhecia a identidade e o poder de ksna?


5 – Quais são as possíveis interpretações para o fato de Krsna ter fechado Seus olhos ao ser pego por Putana?


6 – Quais são os tipos de mães indicados aqui?

Você tem estes tipos de mães?

Qual é sua relação com suas “mães”?


7 – O que aconteceu quando Krsna mamou em Putana?

Você acha justo que ela tenha sido liberada?

O que aconteceu com o corpo dela neste momento?


8 – Qual foi a atitude dos habitantes de Vrndavana quando viram Krsna no corpo da demônia?

O que fizeram e quais mantras cantaram?


9 – Quais são os tipos de maus espíritos citados aqui?

Você já teve alguma experiência com seres assim?


10 – Medite no fato de Krsna ter o poder de se proteger sozinho, mas, mesmo assim as gopis mais velhas estavam completamente absortas em mantê-Lo a salvo.


11 – O que é dito aqui sobre o processo do serviço devocional e como Putana se encaixa neste processo?


12 – O que os vaqueiros fizeram com o corpo de Putana?


13 – Qual é a bênção alcançada por quem houve esta história, segundo Srila Sukadeva Gosvami?


14 – Qual é o anartha (má qualidade) que se “mata” ao matar Putana?


15 – Como se sente agora que conhece esta história?

Na forma deste redemoinho Trnavarta estes argumentos falsos  giram na mente do devoto e  não permitem que a pessoa tenha emoções extáticas em Vraja. 

3 -  Você identifica este redemoinho em sua mente quando estuda e pratica a Filosofia de Bhakti?

4– Srila Prabhupada cita o Bhagavad Gita e as instruções de Sri Caitanya Mahaprabhu. Você pode explicar porque ele faz isso? Quais são os argumentos e o que ele pretende esclarecer recorrendo a estes recursos?

5 – Em que lhe ajudou estudar este capítulo? Percebe se seu amor por Krsna está aumentando?