quarta-feira, 25 de março de 2020

Krsna a Suprema Personalidade de Deus - Capítulo 13 - O Roubo dos Meninos e Bezerros por Brahma

Shukadeva Goswami ficou muito estimulado quando Maharaja Parikshit perguntou-lhe porque os meninos pastores de vacas não discutiram a morte de Aghasura até que um ano se passou. Assim ele explicou: "Meu querido rei, você torna o assunto da matéria dos passatempos transcendentais de Krishna mais revigorado com seu caráter indagador".

É dito que é a natureza de um devoto aplicar constantemente sua mente, energia, palavras, ouvidos, etc., em ouvir e cantar sobre Krishna. Isso se chama Consciência de Krishna, e para aquele que está fascinado por ouvir e cantar de Krishna, o assunto nunca fica banal ou velho. Esse é o significado da matéria transcendental em contraste com a matéria material. O assunto da matéria material se torna rançoso, e a pessoa não agüenta ouvir um certo assunto durante muito tempo; ela quer mudar. Mas no que diz respeito ao assunto da matéria transcendental, chama-se nitya-nava-navayamana. Isso que dizer que a pessoa pode continuar a cantar e ouvir sobre o Senhor e nunca sentir cansaço além de permanecer revigorada e ansiosa para ouvir mais e mais.

É dever do mestre espiritual revelar todas as matérias confidenciais ao discípulo indagador e sincero. Assim, Shukadeva Goswami começou a explicar porque a morte de Aghasura não foi discutida até que um ano se passou. Shukadeva Goswami disse ao rei: "Agora ouça sobre este segredo com atenção. Depois de salvar Seus amigos da boca de Aghasura e depois de matar o demônio, o Senhor Krishna trouxe Seus amigos para a beira do Yamuna e falou com eles como se segue: "Meus queridos amigos, vejam como este lugar é muito bom para tomar lanche e brincar na areia macia da margem do Yamuna. Vocês podem ver como as flores de lótus estão lindamente desabrochadas e como distribuem seu perfume por toda a volta. O gorjeio dos pássaros junto com o arrulho dos pavões, rodeados pelo sussurro das folhas das árvores, combinam e apresentam vibrações sonoras que ecoam uma na outra. E isso justamente enriquece o belo cenário criado pelas árvores de lá. Vamos tomar nosso lanche neste lugar porque já está tarde e estamos com fome. Vamos deixar os bezerros perto de nós, e deixem eles beberem a água do Yamuna. Enquanto nos ocupamos em tomar o nosso lanche, os bezerros podem se ocupar em comer o capim macio que tem aqui neste lugar".

Ao ouvirem essa proposta de Krishna, todos os meninos ficaram muito felizes e disseram: "Certamente, vamos sentar todos aqui e tomar nosso lanche". Então eles deixaram os bezerros soltos para que pastassem o capim macio. Eles sentaram no chão e mantiveram Krishna no centro, e começaram a abrir suas lancheiras que trouxeram de suas casas. O Senhor Sri Krishna estava sentado no centro do círculo, e todos os meninos mantinham suas faces voltadas para Ele. Eles comiam e desfrutavam constantemente ver o Senhor face a face. Krishna parecia a corola de uma flor de lótus, e os meninos em volta Dele pareciam com as várias pétalas dela. Os meninos coletaram flores, folhas de flores e cascas de árvores e colocaram em baixo das várias lancheiras, e assim começaram a comer seu lanche, sempre na companhia de Krishna. Enquanto tomavam o lanche, cada menino começou a manifestar vários tipos de relacionamentos com Krishna, e eles desfrutavam da companhia um do outro com palavras jocosas. Enquanto desfrutava do lanche com Seus amigos dessa forma, a flauta do Senhor Krishna estava embainhada no cinturão da Sua roupa, e Seu chifre e cajado estavam embainhados no lado esquerdo da Sua roupa. Ele segurava uma porção de comida preparada com iogurte, manteiga, arroz e pedaços de salada de frutas na Sua palma esquerda, que podia ser vista através das juntas de Seus dedos que são como pétalas. A Suprema Personalidade de Deus, que aceita o resultado de todos os sacrifícios, ria e brincava, dessa maneira desfrutava um lanche com Seus amigos em Vrindavana. Assim, a cena era observada pelos semideuses no céu. No que diz respeito aos meninos, eles simplesmente desfrutavam da bem-aventurança transcendental na companhia da Suprema Personalidade de Deus.


Nesse momento, os bezerros que pastavam por perto entraram na floresta adentro, atraídos por novos pastos, e gradualmente saíram do campo de visão. Quando os meninos viram que os bezerros não estavam por perto, ficaram com medo pela segurança deles, e imediatamente eles gritaram "Krishna"! Krishna é o matador do medo personificado. Todo mundo tem medo do medo personificado, porém o medo personificado tem medo de Krishna. Ao gritarem a palavra "Krishna", os meninos imediatamente transcenderam a situação de medo. Por causa de Sua grande afeição, Krishna não queria que Seus amigos interrompessem sua diversão agradável de tomar lanche e fossem procurar os bezerros. Por isso Ele disse: "Meus queridos amigos, vocês não precisam interromper seu lanche. Continuem a desfrutar. Eu vou pessoalmente aonde os bezerros estão". Assim, o Senhor Krishna partiu imediatamente para procurar os bezerros nas cavernas e arbustos. Ele procurou nos buracos das montanhas e nas florestas, mas não conseguiu achá-los.


No momento quando Aghasura foi morto e os semideuses assistiam ao incidente com grande espanto, Brahma, que nasceu da flor de lótus que cresce do umbigo de Vishnu, também veio ver. Ele ficou surpreso de ver como o menino pequeno Krishna pode agir tão maravilhosamente. Apesar de ser informado que aquele pequeno menino pastor de vacas era a Suprema Personalidade de Deus, ele queria ver mais passatempos glorificados do Senhor, e por isso roubou todos os bezerros e meninos pastores de vacas e levou-os todos para um local diferente. Assim, o Senhor Krishna, apesar de procurar pelos bezerros, não conseguiu encontrá-los, e Ele perdeu até mesmo Seus amiguinhos na margem do Yamuna onde tomavam seu lanche. Na forma de um menino pastor de vacas, o Senhor Krishna era muito pequeno em comparação com Brahma, mas porque Ele é a Suprema Personalidade de Deus, Ele pôde entender imediatamente que todos os bezerros e meninos foram roubados por Brahma. Krishna pensou: "Brahma levou embora todos os meninos e bezerros. Como posso voltar para Vrindavana sozinho? As mães vão ficar aflitas"!

Por isso, para satisfazer as mães de Seus amiguinhos bem como convencer Brahma sobre a supremacia da Personalidade de Deus, Ele imediatamente Se expandiu como os meninos pastores de vacas e os bezerros. Os Vedas afirmam que a Suprema Personalidade de Deus expandiu-Se em tantos seres vivos por meio de Sua energia. Por isso que não foi difícil para Ele Se expandir novamente em tantos meninos e bezerros. Ele Se expandiu para ficar exatamente igual aos meninos, que eram de diferentes características de constituição facial e corpórea, e que eram diferentes em suas roupas e ornamentos e seu comportamento e atividades pessoais. Em outras palavras, cada um tem gostos diferentes; por ser uma alma individual, cada pessoa tem atividades e comportamento inteiramente diferentes. Mesmo assim, Krishna Se expandiu exatamente em todas as posições diferentes dos meninos individuais. Ele também Se tornou os bezerros, que também eram de diferentes tamanhos, cores, atividades, etc.. Isso foi possível porque tudo é uma expansão da energia de Krishna. É dito no Vishnu Purana, parasya brahmanah saktih. Qualquer coisa que vemos realmente na manifestação cósmica; seja matéria ou as atividades dos seres vivos; é simplesmente uma expansão das energias do Senhor, da mesma forma como calor e luz são diferentes expansões do fogo.

Assim Se expandindo como os meninos e os bezerros em suas capacidades individuais, e rodeado pelas expansões Dele mesmo, Krishna entrou na vila de Vrindavana. Os residentes não tinham conhecimento sobre o que tinha acontecido. Depois de entrar na vila, Vrindavana, todos os bezerros entraram em seus estábulos, e os meninos também foram para suas respectivas mães e lares.

As mães dos meninos ouviam a vibração de suas flautas antes de sua entrada, e para recebê-los, elas saíam de suas casas e os abraçavam. E por afeição maternal, o leite escorria de seus seios, e elas deixavam os meninos mamarem. Porém, a oferenda delas não era exatamente para seus meninos e sim para a Suprema Personalidade de Deus, que Se expandiu nesses meninos. Essa foi uma chance para todas as mães de Vrindavana alimentarem a Suprema Personalidade de Deus com seu próprio leite. Dessa forma, o Senhor Krishna não deu a chance de alimentá-Lo somente a Yashoda, mas dessa vez, Ele deu a chance a todas as gopis adultas.

Todos os meninos começaram a lidar com suas mães como de costume, e as mães também, com a aproximação da noite, começavam a banhar seus filhos respectivos, decorá-los com tilaka e ornamentos e dar a eles a comida necessária depois do labor do dia. As vacas também, que estavam longe no campo de pastagem, voltavam à noitinha e começavam a chamar seus bezerros respectivos. Os bezerros vinham imediatamente para suas mães, e as mães começavam a lamber os corpos dos bezerros. Essas relações entre vacas e as gopis com seus bezerros e meninos permaneceram inalteradas, apesar de na realidade os bezerros e meninos originais não estarem ali. Na verdade, a afeição das vacas por seus bezerros e a afeição das gopis adultas por seus meninos aumentou por acaso. Sua afeição incrementou naturalmente, mesmo se os bezerros e meninos não eram sua prole. Apesar das vacas e gopis adultas de Vrindavana terem mais afeição por Krishna do que por seus próprios filhos, depois desse incidente, sua afeição por seus filhos incrementou ilimitadamente, exatamente como era por Krishna. Por um ano continuamente, Krishna em pessoa Se expandiu nos bezerros e meninos pastores de vacas e estava presente no campo de pastagem.

Como o Bhagavad-gita afirma, a expansão de Krishna está presente no coração de todos na forma da Superalma. Similarmente, em vez de Se expandir como a Superalma, Ele Se expandiu numa porção de bezerros e meninos pastores de vacas durante um ano contínuo.

Um dia, quando Krishna, junto com Balarama, cuidavam dos bezerros na floresta, Eles viram algumas vacas que pastavam no topo da colina Govardhana. As vacas puderam ver lá em baixo no vale onde os bezerros eram cuidados pelos meninos. De repente, ao verem seus bezerros, as vacas começaram a correr em direção a eles. Elas se lançaram montanha abaixo com as patas dianteiras combinadas com as traseiras. As vacas estavam tão enternecidas com afeição por seus bezerros que não se importavam sobre o caminho acidentado do topo da colina Govardhana até em baixo no campo de pastagem. Elas começaram a se aproximar de seus bezerros com seus úberes cheios de leite e elas levantavam seus rabos para cima. Quando elas desceram a montanha, suas tetas jorravam leite no chão por causa da afeição maternal intensa pelos bezerros, apesar de não serem seus próprios bezerros. Essas vacas tinham seus próprios bezerros, e os bezerros que pastavam em baixo da colina Govardhana eram maiores; eles não deveriam mamar o leite diretamente das tetas pois ficavam satisfeitos só com o capim. Mesmo assim, todas as vacas vieram imediatamente e começaram a lamber seus corpos, e os bezerros também começaram a sugar o leite dos úberes. Parecia uma grande dependência afetiva entre as vacas e os bezerros.

Quando as vacas correram do topo para baixo da colina Govardhana, os homens que cuidavam delas tentaram pará-las. As vacas adultas são cuidadas pelos homens, e os bezerros são cuidados pelos meninos; no máximo possível, os bezerros são mantidos separados das vacas, para que os bezerros não bebam todo o leite disponível. Por isso que os homens que cuidavam das vacas no topo da colina Govardhana tentaram pará-las, mas falharam. Frustrados com sua falha, eles se sentiam envergonhados e com raiva. Eles estavam muito infelizes, mas quando desceram e viram seus filhos que cuidavam dos bezerros, eles subitamente ficaram com muita afeição pelas crianças. Isso foi muito espantoso. Apesar dos homens descerem desapontados, frustrados e zangados, logo que viram seus próprios filhos, seus corações se derreteram com grande afeição. Imediatamente, a raiva, insatisfação e infelicidade deles desapareceram. Eles começaram a expressar seu amor paternal por seus filhos, e com grande afeição eles os levantavam em seus braços e os abraçavam. Eles começaram a cheirar a cabeça de seus filhos e desfrutar da companhia deles com grande alegria. Depois de abraçar seus filhos, os homens novamente levaram as vacas de volta ao topo da colina Govardhana. Ao longo do caminho, eles começavam a pensar em seus filhos, e lágrimas de afeição caíam de seus olhos.


Quando Balarama viu esse intercâmbio extraordinário de afeição entre as vacas e seus bezerros e entre os pais e seus filhos; quando nem os bezerros nem as crianças necessitam tanto cuidado; Ele começou a deliberar porque essa coisa extraordinária aconteceu. Ele estava pasmo de ver todos os residentes de Vrindavana com tanta afeição pelos seus próprios filhos, exatamente como a afeição que tinham por Krishna. Similarmente, as vacas aumentaram a afeição por seus bezerros; tanto quanto para Krishna. Balarama portanto concluiu que a exibição extraordinária de afeição era algo místico, ou realizado pelos semideuses ou por alguma pessoa poderosa. Senão, como essa mudança maravilhosa pôde acontecer? Ele concluiu que essa mudança mística foi causada por Krishna, quem Balarama considerava Sua Personalidade de Deus adorada. Ele pensou: "Isso foi arranjado por Krishna, e nem mesmo Eu pude deter seu poder místico". Assim, Balarama entendeu que todos aqueles meninos e bezerros eram apenas expansões de Krishna.

Balarama perguntou a Krishna sobre a situação real. Ele disse: "Meu querido Krishna, no começo, Eu pensei que todas essas vacas, bezerros e meninos pastores de vacas ou eram grandes sábios ou pessoas santas ou semideuses, mas no presente, parece que eles são realmente Suas expansões. Eles são todos Você que Se expandiu como os bezerros e meninos? Você pode Me dizer bondosamente qual é a causa"? Com o pedido de Balarama, Krishna explicou brevemente toda a situação; como os bezerros e meninos foram roubados por Brahma e como Ele escondeu o incidente com Sua expansão para que as pessoas não soubessem que os bezerros e meninos originais estavam desaparecidos.


Enquanto Krishna e Balarama conversavam, Brahma retornou depois do intervalo de um momento (de acordo com a duração de sua vida). Temos a informação sobre a duração de vida do Senhor Brahma no Bhagavad-gita: 1.000 vezes a duração das quatro eras, ou 4.320.000 x 1.000, compreende doze horas de Brahma. Similarmente, um momento de Brahma é igual a um ano pelo nosso cálculo solar. Depois de um momento pelo cálculo de Brahma, Brahma voltou para ver a diversão causada pelo roubo dos meninos e bezerros. Mas também tinha medo de estar brincando com fogo. Krishna era seu mestre, e ele fez uma travessura por diversão ao levar os bezerros e meninos. Ele estava muito ansioso, por isso que não demorou muito, só um momento (pelo cálculo dele). Ele viu que todos os meninos e bezerros brincavam com Krishna da mesma forma como ele tinha visto sobre eles, apesar de ter certeza de tê-los levado e os colocado para dormir sob o encanto de seu poder místico. Brahma começou a pensar: "Todos os meninos e bezerros foram levados por mim, e eu sei que eles ainda estão dormindo. Como que um bloco similar de meninos e bezerros brincam com Krishna? Será que eles não são influenciados pelo meu poder místico? Será que eles continuaram a brincar durante um ano com Krishna"? Brahma tentou entender quem eram eles e porque não eram influenciados por seu poder místico, mas não conseguia determinar isso. Em outras palavras, ele mesmo caiu sob o encanto do seu próprio poder místico. A influência de seu poder místico parecia como neve no escuro ou vaga-lume durante o dia. Na escuridão da noite, o vaga-lume pode mostrar algum poder de brilho, e a neve empilhada no topo de uma montanha ou no chão pode brilhar durante o dia. Mas à noite, a neve não tem brilho; nem o vaga-lume tem poder de iluminar durante o dia. Similarmente, quando o pequeno poder místico exibido por Brahma ficou diante do poder místico de Krishna, era como a neve ou o vaga-lume. Quando uma pessoa com poder místico quer mostrar força na presença de um poder místico maior, ela diminui sua própria influência; ela não a aumenta, mesmo uma grande personalidade como Brahma, quando quis exibir seu poder místico perante Krishna, ficou ridículo. Brahma portanto ficou confuso sobre seu próprio poder místico.

A fim de convencer Brahma de que todos aqueles bezerros e meninos não eram os originais, os bezerros e meninos que brincavam com Krsna se transformaram em formas de Vishnu. Na realidade, os originais dormiam sob o encanto do poder místico de Brahma, mas os presentes, vistos por Brahma, eram todos expansões imediatas de Krishna, ou Vishnu. Vishnu é a expansão de Krishna, por isso que as formas de Vishnu apareceram na frente de Brahma. Todas as formas de Vishnu tinham cor azulada e vestidas com roupas amarelas; todas Elas tinham quatro mãos decoradas com maça, disco, flor de lótus e búzio. Nas cabeças Deles, havia elmos brilhantes de ouro com jóias; estavam adornados com pérolas e brincos, e colares de belas flores. Em Seus peitos havia a marca de Srivatsa; Seus braços estavam decorados com braceletes e outras jóias. Seus pescoços eram suaves como um búzio, Suas pernas eram decoradas com guizos, Suas cinturas decoradas com cintos de ouro, e Seus dedos decorados com anéis de jóias. Brahma também viu que por todo o corpo do Senhor Vishnu, eram jogados botões frescos de Tulasi, a começar de Seus pés de lótus até o topo de Sua cabeça. Outra característica significante das formas de Vishnu é que todas Elas pareciam transcendentalmente lindas. Seu sorriso parecia a lua cheia, e Seu olhar parecia o nascer do sol bem cedo. Apenas com Seu olhar, Eles pareciam como os criadores e mantenedores dos modos da ignorância e paixão. Vishnu representa o modo da bondade, Brahma representa o modo da paixão, e o Senhor Shiva representa o modo da ignorância. Portanto, como o mantenedor de tudo na manifestação cósmica, Vishnu também é o criador e mantenedor de Brahma e do Senhor Shiva.


Depois dessas manifestações do Senhor Vishnu, Brahma viu muitos outros Brahmas e Shivas e semideuses e mesmo seres vivos insignificantes até as formigas e palhas bem inferiores; seres vivos móveis e imóveis; que dançavam, em volta do Senhor Vishnu. Sua dança era acompanhada por vários tipos de música, e todos Eles adoravam o Senhor Vishnu. Brahma realizou que todas aquelas formas de Vishnu eram completas em poder místico, a começar pela perfeição anima de se tornar menor como um átomo até se tornar infinito como a manifestação cósmica. Todos os poderes místicos de Brahma, Shiva, todos os semideuses e os vinte e quatro elementos da manifestação cósmica estavam totalmente representados na pessoa de Vishnu. Pela influência do Senhor Vishnu, todos os poderes místicos subordinados estavam dedicados em Sua adoração. Ele era adorado pelo tempo, espaço, a manifestação cósmica, reforma, desejo, atividade e as três qualidades da natureza material. O Senhor Vishnu, Brahma também realizou, é o reservatório de toda verdade, conhecimento e bem-aventurança. Ele é a combinação das três características transcendentais, chamadas eternidade, conhecimento, e bem-aventurança, e Ele é o objeto de adoração pelos seguidores dos Upanishads. Brahma realizou que todas as diferentes formas de meninos e bezerros transformadas em formas de Vishnu não foram transformadas por um misticismo do tipo como um yogi ou um semideus pode exibir devido aos poderes específicos investidos nele. Os bezerros e meninos transformados em vishnu-murtis, ou formas de Vishnu, não eram exibições de vishnu-maya, ou energia de Vishnu, mas eram o Próprio Vishnu. As qualificações respectivas de Vishnu e vishnu-maya são como fogo e calor. No calor existe a qualificação do fogo, chamada ardor; e ainda assim calor não é fogo. A manifestação das formas de Vishnu a partir dos meninos e bezerros não era como o calor, mas sim o fogo; eles eram todos realmente Vishnu. De fato, a qualificação de Vishnu é verdade plena, conhecimento pleno e bem-aventurança plena. Outro exemplo pode ser dado com objetos materiais, que são refletidos em muitas, e muitas formas. Por exemplo, o Sol é refletido em muitos potes de água, mas os reflexos do Sol em muitos potes não são o Sol realmente. Não existe verdadeiro calor ou luz do Sol no pote, apesar de parecer o Sol. Mas as formas que Krishna assumiu eram cada uma delas e todas um Vishnu completo. Satyam significa verdade, jñanam, conhecimento pleno, e ananda, bem-aventurança plena.

As formas transcendentais da Suprema Personalidade de Deus em Sua pessoa são tão grandiosas que os seguidores impessoais dos Upanishads não podem alcançar a plataforma de conhecimento para compreendê-Las. Particularmente, as formas transcendentais do Senhor estão além do alcance dos impersonalistas que só podem entender, pelo estudo dos Upanishads, que a Verdade Absoluta não é matéria e que a Verdade Absoluta não é restrita materialmente por potência limitada. O Senhor Brahma entendia Krishna e Sua expansão nas formas de Vishnu e entendia que, devido à expansão da energia do Supremo Senhor, tudo que é móvel e imóvel dentro da manifestação cósmica é existente.

Quando Brahma permanecia assim frustrado em seu poder limitado e consciente de suas atividades limitadas dentro dos onze sentidos, ele também pôde realizar que também era uma criação da energia material, igual a uma marionete. Do mesmo modo como uma marionete não tem poder independente para dançar mas dança de acordo com a direção do mestre da marionete, os semideuses e seres vivos são todos subordinados à Suprema Personalidade de Deus. Como o Chaitanya-charitamrita afirma, o único mestre é Krishna, e todos os outros são servos. O mundo inteiro está sob as ondas do encanto material, e seres flutuam como palhas na água. Por isso seu esforço pela existência é contínuo. Mas logo quando a pessoa se torna consciente de que é um servo eterno da Suprema Personalidade de Deus, esta maya ou esforço ilusório pela existência é imediatamente parado.

O Senhor Brahma, que tem controle pleno da deusa do conhecimento e que é considerado a maior autoridade no conhecimento Védico, ficou assim perplexo, incapaz de entender o poder extraordinário manifestado pela Suprema Personalidade de Deus. No mundo mundano, mesmo uma personalidade como Brahma é incapaz de entender o potencial do poder místico do Supremo Senhor. Brahma não somente falhou em entender, como ficou até perplexo em ver a exibição que foi manifesta por Krishna na frente dele.

Krishna sentiu compaixão pela inabilidade de Brahma enxergar como Ele exibiu as formas de Vishnu e Se transformou nos bezerros e meninos pastores de vacas, e então, enquanto manifestava plenamente as expansões Vishnu, Ele subitamente fechou Sua cortina de yogamaya sobre a cena. No Bhagavad-gita é afirmado que a Suprema Personalidade de Deus não é visível devido à cortina estendida por yogamaya. A que cobre a realidade é maha-maya ou a energia externa, a qual não permite que uma alma condicionada entenda a Suprema Personalidade de Deus além da manifestação cósmica. Mas a energia que manifesta parcialmente a Suprema Personalidade de Deus e parcialmente não permite que alguém veja, se chama yogamaya. Brahma não é uma alma condicionada ordinária. Ele é muito, muito superior a todos os semideuses, e mesmo assim ele não pôde compreender a exibição da Suprema Personalidade de Deus; por isso Krishna desejou parar de manifestar qualquer potência a mais. A alma condicionada não somente fica confusa, como é completamente incapaz de entender. A cortina de yogamaya foi fechada para que Brahma não ficasse cada vez mais perplexo.

Quando Brahma ficou aliviado de sua perplexidade, parecia que tinha acordado de um estado de quase morte, e ele começou a abrir seus olhos com muita dificuldade. Assim ele conseguiu ver a manifestação cósmica externa com seus olhos comuns. Ele viu por toda sua volta a excelentíssima vista de Vrindavana; cheia de árvores; que é a fonte de vida para todos os seres vivos. Ele pôde apreciar a terra transcendental de Vrindavana onde todos os seres vivos são transcendentais à natureza ordinária. Na floresta de Vrindavana, mesmo animais ferozes como tigres e outros vivem pacificamente junto com os veados e seres humanos. Ele conseguiu entender que, por causa da presença da Suprema Personalidade de Deus em Vrindavana, esse lugar é transcendental a todos os outros lugares e ali não tem luxúria e ganância.

Brahma então encontrou Sri Krishna, a Suprema Personalidade de Deus, que fazia o papel de um pequeno menino pastor de vacas; ele viu aquela criança pequena com um punhado de comida em Sua mão esquerda, a procurar Seus amigos e bezerros, do mesmo jeito que fazia exatamente um ano atrás, depois do desaparecimento deles.


Brahma desceu imediatamente de seu grande cisne transportador e caiu no chão perante o Senhor igual a um cajado de ouro. A palavra usada entre Vaishnavas para oferecer respeito é dandavat. Essa palavra quer dizer "cair no chão como um cajado"; deve-se oferecer respeito a um Vaishnava superior por cair no chão estirado, com seu corpo igual a um cajado. Por isso que Brahma caiu perante o Senhor igual a um cajado para oferecer respeito; e porque a compleição de Brahma é dourada, ele parecia como um cajado de ouro deitado perante o Senhor Krishna. Todos os quatro elmos nas cabeças de Brahma tocaram os pés de lótus de Krishna. Brahma, que estava muito feliz, começou a derramar lágrimas, e ele lavou os pés de lótus de Krishna com suas lágrimas. Repetidamente ele caiu e levantou à medida que recordava as atividades maravilhosas do Senhor. Depois de repetir as reverências por um longo tempo, Brahma se levantou e esfregou seus olhos com suas mãos. Ao ver o Senhor perante ele, a tremer, ele começou a oferecer preces com grande respeito, humildade e atenção.


Assim termina o significado Bhaktivedanta do Capítulo Treze de Krishna, "O Roubo dos Meninos e Bezerros por Brahma".
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Guia de estudos para este capítulo do Livro “Krsna a Suprema Personalidade de Deus”.

1 – Estamos estudando uma história que aconteceu na época em que krsna estava no planeta em Sua forma pessoal. Neste momento é citada uma conversa entre Pariksit Maharaj e Sukadeva Gosvami, tempos depois. No capítulo anterior nós já conversamos o porque disto ter acontecido, então agora proponho outra reflexão:

a) Você já pensou em como podemos ter certeza destas datas? 
Assista o vídeo do Instituto Gaudyia de Educação e pense neste assunto. 
Segue o link:
https://www.youtube.com/watch?v=liqe1vrRYlM 

2 – O que significa “nitya-nava-navayamana? 
Você tem esta experiência?

3 – Srila Prabhupada inicia o terceiro parágrafo com uma frase muito profunda.
Como você se sente com relação a ela?
Você se enquadra nesta categoria de discípulo?
A relação com seu mestre espiritual flui conforme este conceito?

4 – Imagine-se dentro deste cenário proposto por Krsna enquanto ele está com os pastorzinhos..
Feche os olhos e imagine-se brincando com seus amigos e olhando para Krsna enquanto Ele pede para que todos se sentem e descansem num determinado local na Floresta de Vrndavana. Sinta o perfume das flores e o aroma das preparações deliciosas quando os meninos abrem suas lancheiras cheias de guloseimas feitas com tanto amor pelas gopis. Ria dos gracejos feitos por Krsna e seus amiguinhos, sinta a grama macia onde está sentada e ouça o barulho da água correndo no rio…
Repare que os semideuses só tiveram a oportunidade de observar esta cena. Nós podemos nos imaginar lá e podemos estar presentes nela um dia!

5 – Continue lendo e preste atenção na frase: “Todo mundo teme o medo personificado, mas o medo personificado tem medo de krsna.” 
Quando você sente medo, consegue levá-lo até Krsna? 
Quero dizer, consegue entregar esta sensação e se livrar dele?

6 – Krsna pessoalmente foi procurar os bezerros e deixou os meninos descansando.
O que você pensa desta atitude de Deus?
Será que quando descansamos, krsna está cuidando da situação ao nosso redor?

7 -Como o Senhor Brahma ajudou Krsna a continuar Seu passatempo?
Neste momento é citado um fato muito importante:  “Krsna expande-Se em muitas entidades vivas por Sua energia.” 
Então não se esqueça de que você, como uma entidade viva, é sem dúvida, uma energia de krsna.
Na sequência está dito que “TUDO é energia de krsna” 
Você consegue se posicionar neste contexto? Vendo tudo como Krsna mesmo?
Será que isto significa ser um “personalista”?

8 – Krsna se expande em meninos e bezerros.
Pense na relação que se formou agora entre os parentes deles.
Srila Prabhupada diz que Krsna se expande como Paramatma no coração de todos mas agora desta maneira as relações se intensificaram.
Você consegue ver Krsna como Paramatma no coração de todas as pessoas com quem se relaciona? E em relação às outras pessoas do mundo todo?

9 – Pense na relação entre o Senhor Visnu e o Senhor Brahma e sobre o que este passatempo pode nos oferecer como ensinamentos em nossa vida. Liste pelo menos cinco.

Como é bom estudar os ensinamentos da Suprema Personalidade de Deus!!
Jaya Srila Prabhupada!!

segunda-feira, 2 de março de 2020

Krsna a Suprema Personalidade de Deus - Capítulo 12 - Matança do Demônio Aghasura

Uma vez, o Senhor desejou ir de manhã cedo para a floresta junto com seus amigos meninos pastores de vacas, onde eles se reuniriam e tomariam lanche. Logo que levantou da cama, Ele tocou Seu chifre de búfalo e chamou todos Seus amigos juntos. Eles partiram para a floresta e mantiveram os bezerros na frente. Dessa maneira, o Senhor Krishna reuniu milhares de Seus amigos. Todos eles estavam equipados com um cajado, flauta e chifre, e também uma bolsa com a lancheira, e cada um deles cuidava de milhares de bezerros. Todos os meninos pareciam muito alegres e felizes nessa excursão. Cada um e todos eles estavam atentos a seus bezerros pessoais. Os meninos estavam totalmente adornados com vários tipos de ornamentos de ouro e devido a suas propensões esportivas, eles começaram a colher flores, folhas, galhos, penas de pavão e barro vermelho de vários lugares na floresta, e começaram a se vestir de várias formas diferentes. Enquanto atravessavam a floresta, um menino pegou a lancheira de outro menino e a passou para um terceiro. Quando o menino que teve a lancheira furtada veio a saber disso, tentou recuperá-la. Mas um atirou para outro menino. Essa brincadeira esportiva continuou entre os meninos na forma de passatempos infantis.


Quando o Senhor Krishna ia adiante até um local distante a fim de ver algum cenário específico, os meninos atrás Dele tentavam correr e alcançá-Lo para ser o primeiro a tocá-Lo. Assim, havia uma grande competição. Um dizia, "eu vou lá e tocarei Krishna", e outro dizia, "ó, você não pode ir. Eu vou tocar Krishna primeiro". Alguns deles tocavam suas flautas ou vibravam seus clarins feitos de chifre de búfalo. Alguns deles seguiam os pavões alegremente e imitavam os sons onomatopéicos do cuco. Enquanto os pássaros voavam no céu, os meninos corriam atrás das sombras dos pássaros no chão e tentavam seguir o curso exato deles. Alguns deles iam para junto dos macacos e se sentavam em silêncio ao lado deles, e alguns deles imitavam a dança dos pavões. Alguns deles pegavam no rabo dos macacos e brincavam com eles, e quando os macacos pulavam numa árvore os meninos também os seguiam. Quando um macaco fazia careta e mostrava os dentes, um menino imitava e mostrava seus dentes para o macaco. Alguns dos meninos brincavam com as rãs na margem do Yamuna, e quando, por medo, as rãs pulavam na água, os meninos mergulhavam atrás delas imediatamente, e saíam da água depois que viam suas próprias sombras e de pé, faziam imitações, faziam caricaturas e riam. Eles iam até um poço seco e gritavam bem alto, e quando o eco voltava, eles diziam palavras de insulto e davam risada.


Como afirmado pessoalmente pela Suprema Personalidade de Deus no Bhagavad-gita, Ele é realizado proporcionalmente pelos transcendentalistas como Brahman, Paramatma e a Suprema Personalidade de Deus. Aqui, na confirmação da mesma afirmação, o Senhor Krishna, que concede realização de Brahman ao impersonalista com Seu esplendor corpóreo, também dá prazer aos devotos como a Suprema Personalidade de Deus. Aqueles que estão sob o encanto da energia externa, maya, acham que Ele é apenas uma bela criança. Mesmo assim, Ele deu prazer transcendental pleno aos meninos pastores de vacas que brincavam com Ele. Somente depois de acumularem montanhas de atividades piedosas, esses meninos foram promovidos para a companhia pessoal da Suprema Personalidade de Deus. Quem pode estimar a fortuna transcendental dos residentes de Vrindavana? Eles visualizavam pessoalmente a Suprema Personalidade de Deus face a face, Ele que muitos yogis não conseguem encontrar mesmo depois de se submeterem a severas austeridades, apesar Dele estar sentado dentro do coração. Isso é confirmado no Brahma-samhita. Alguém pode procurar por Krishna, a Suprema Personalidade de Deus, através das páginas dos Vedas e Upanishads, mas se for afortunado o bastante para se associar com um devoto, poderá ver a Suprema Personalidade de Deus face a face. Depois de acumular muitas atividades piedosas em muitas e muitas vidas prévias, os meninos pastores de vacas viam Krishna face a face e brincavam com Ele como amigos. Eles não entendiam que Krishna é a Suprema Personalidade de Deus, mas brincavam como amigos íntimos com amor intenso por Ele.


Quando o Senhor Krishna desfrutava Seus passatempos infantis com Seus amigos, um demônio Aghasura ficou muito impaciente. Ele não podia tolerar ver Krishna brincar, por isso apareceu diante dos meninos com a intenção de matar todos. Esse Aghasura era tão perigoso que até mesmo os habitantes do céu tinham medo dele. Apesar dos habitantes celestiais beberem néctar diariamente para prolongar suas vidas, tinham medo desse Aghasura e pensavam: "Quando o demônio vai ser morto"? Os seres celestiais costumam beber néctar para se tornarem imortais, mas na realidade, não confiam na sua imortalidade. Por outro lado, os meninos que brincavam com Krishna não tinham medo de demônios. Eles eram livres de medo. Quaisquer arranjos materiais para proteger-se da morte são sempre incertos, mas se a pessoa estiver em Consciência de Krishna, então a imortalidade está assegurada confiantemente.

O demônio Aghasura apareceu na frente de Krishna e Seus amigos. Acontece que Aghasura era irmão mais novo de Putana e Bakasura, e ele pensou: "Krishna matou meu irmão e minha irmã. Agora vou matá-Lo junto de todos Seus amigos e bezerros". Aghasura foi instigado por Kamsa, por isso, vinha com determinação. Aghasura também começou a pensar que quando fosse oferecer grãos e água em memória de seu irmão e irmã e matar Krishna e todos os meninos pastores de vacas, então automaticamente todos os habitantes de Vrindavana também morreriam. Geralmente, para os familiares, as crianças são a vida e a força respiratória. Depois que todas crianças morressem, então naturalmente os pais também morreriam por causa da forte afeição por eles.

Aghasura, após decidir dessa forma matar todos habitantes de Vrindavana, expandiu-se pelo yoga-siddhi chamado mahima. Os demônios geralmente são peritos em obterem quase todos os tipos de poderes místicos. No sistema de yoga, a perfeição chamada mahima-siddhi permite que a pessoa se expanda na forma que desejar. O demônio Aghasura se expandiu até treze quilômetros e assumiu a forma de uma serpente bem gorda. Ao assumir esse corpo espantoso, ele escancarou sua boca igual a uma caverna na montanha. Ele desejava engolir todos os meninos de uma vez, inclusive Krishna e Balarama, então parou no caminho.

O demônio na forma de uma grande serpente gorda expandiu seus lábios da terra até o céu; seu lábio inferior tocava a terra e seu lábio superior tocava as nuvens. Sua mandíbula parecia uma grande caverna na montanha, sem iluminação, e seus dentes pareciam picos de montanhas. Sua língua parecia uma larga rodovia, e ele respirava igual a um furacão. O fogo de seus olhos era ardente. Primeiro, os meninos pensaram que o demônio era uma estátua, mas depois de examinar melhor, viram que era mais parecido com uma grande serpente deitada na estrada com a boca escancarada. Os meninos começaram a pensar entre eles: "Essa figura parece ser um grande animal, e ele está parado numa postura justamente para engolir todos nós. Olhem, não é uma grande serpente que escancarou sua boca para comer todos nós"?

Um deles disse: "Sim, o que você disse é verdade. O lábio superior desse animal parece igual ao sol ardente, e seu lábio inferior é como o reflexo do sol avermelhado no chão. Caros amigos, apenas olhem para o lado direito e esquerdo da boca do animal. Sua boca parece ser como uma grande caverna na montanha, e sua altura não pode ser estimada. O queixo também é elevado igual ao pico de uma montanha. Aquela longa rodovia parece ser sua língua, e dentro da boca é tão escuro quanto dentro de uma caverna na montanha. O vento forte que sopra como um furacão é sua respiração, e o mau cheiro de peixe que sai de sua boca é o cheiro dos seus intestinos".

Então eles consultaram mais entre si: "Se todos nós entrarmos ao mesmo tempo na boca dessa grande serpente, como será possível engolir todos nós? E mesmo se tiver que engolir todos nós de uma vez, não vai conseguir engolir Krishna. Krishna vai matá-lo imediatamente, como Ele fez com Bakasura". Falando dessa maneira, todos os meninos olharam para a bela face como o lótus de Krishna, e começaram a bater palmas e sorrir. E assim eles marcharam adiante e entraram na boca da serpente gigantesca.

Entretanto, Krishna, que é a Superalma dentro do coração de todos, pôde entender que aquela grande figura monumental era um demônio. Enquanto Ele planejava como impedir a destruição de Seus amigos íntimos, todos os meninos junto com suas vacas e bezerros entraram na boca da serpente. Mas Krishna não entrou. O demônio esperava a entrada de Krishna, e pensava: "Todos entraram exceto Krishna, que matou meus irmãos e irmãs".

Krishna é a garantia de segurança para todos. Mas quando viu que Seus amigos já estavam fora de Suas mãos e estavam deitados dentro do estômago de uma grande serpente, Ele ficou, momentaneamente, preocupado. Ele também ficou admirado de ver como a energia externa trabalha tão maravilhosamente. Então, Ele começou a considerar como o demônio devia ser morto e como Ele poderia salvar os meninos e os bezerros. Apesar de não haver nenhuma preocupação real da parte de Krishna, Ele pensava dessa forma. Finalmente, depois de um pouco de deliberação, Ele também entrou na boca do demônio. Quando Krishna entrou, todos os semideuses, que se reuniram para assistir à diversão e que estavam escondidos nas nuvens, começaram a expressar seus sentimentos com as palavras: "Ai de mi! Ai de mim"! Ao mesmo tempo, todos os amigos de Aghasura, especialmente Kamsa, que eram todos acostumados a comer carne e sangue, começaram a expressar seu júbilo, compreendendo que Krishna também tinha entrado na boca do demônio.


Enquanto o demônio tentava esmagar Krishna e Seus companheiros, Krishna ouviu os semideuses gritando: "Ai de mi! Ai de mim"! E Ele imediatamente começou a Se expandir dentro da garganta do demônio. Apesar de ter um corpo gigante, o demônio ficou sufocado pela expansão de Krishna. Seus grandes olhos se moviam violentamente, e ele ficou sufocado rapidamente. Seu ar vital não conseguia sair de jeito nenhum, e finalmente ele irrompeu através de um buraco na parte superior de seu crânio. Assim, seu ar vital expirou. Depois que o demônio caiu morto, Krishna somente com Seu olhar transcendental, trouxe todos os meninos e bezerros de volta à consciência e saiu com eles da boca do demônio. Enquanto Krishna estava dentro da boca de Aghasura, a alma espiritual do demônio saiu como a luz de um relâmpago, que iluminou todas as direções, e esperou no céu. Assim que Krishna com Seus bezerros e amigos saíram da boca do demônio, aquela luz brilhante cintilante, imediatamente imergiu dentro do corpo de Krishna dentro da visão de todos os semideuses.

Os semideuses ficaram extasiados de alegria e começaram a jogar chuvas de flores na Suprema Personalidade de Deus, Krishna, e assim eles O adoraram. Os habitantes celestiais começaram a dançar em júbilo, e os habitantes de Gandharvaloka começaram a oferecer vários tipos de preces. Os músicos dos tambores começaram a bater em seus tambores em júbilo, os brahmanas começaram a recitar os hinos Védicos, e todos os devotos do Senhor começaram a cantar as palavras: "Jaya! Jaya! Todas as glórias à Suprema Personalidade de Deus"!

Quando o Senhor Brahma ouviu essas vibrações auspiciosas que soaram por todo o sistema planetário superior, imediatamente desceu para ver o que acontecia. Ele viu que o demônio foi morto, e ele estava maravilhado com os gloriosos passatempos incomuns da Personalidade de Deus. A boca gigantesca do demônio permaneceu na posição aberta por muitos dias e gradualmente secou; e continuou a ser um local de passatempos de prazer para todos os meninos pastores de vacas.

A morte de Aghasura aconteceu quando Krishna e todos os Seus amiguinhos estavam abaixo de cinco anos de idade. Crianças abaixo de cinco anos se chamam kaumara; depois dos cinco anos até o décimo ano, elas se chamam pauganda; e depois do décimo ano até o décimo quinto ano, elas se chamam kaishora. Depois do décimo quinto ano, os meninos são chamados de jovens. Assim por um ano não houve nenhuma discussão sobre o incidente do demônio Aghasura na vila de Vraja. Mas quando completaram seu sexto ano, eles informaram seus pais sobre o incidente com grande admiração. O motivo disso será explicado claramente no próximo Capítulo.

Para Sri Krishna, a Suprema Personalidade de Deus, que é muito maior do que semideuses como o Senhor Brahma, não é nem um pouco difícil conceder a alguém a oportunidade de imergir em Seu corpo eterno. Foi isso que Ele concedeu a Aghasura. Aghasura com certeza era o ser vivo mais pecaminoso, e não é possível um pecaminoso imergir dentro da existência da Verdade Absoluta. Mas neste caso específico, porque Krishna entrou dentro do corpo de Aghasura, o demônio ficou limpo de todas as reações pecaminosas. Pessoas que pensam constantemente na forma eterna do Senhor na forma da Deidade ou na forma de uma forma mental são agraciadas com o objetivo transcendental de entrar no Reino de Deus e se associar com a Suprema Personalidade de Deus. Por isso, imaginemos a posição elevada de alguém como Aghasura em cujo corpo a Suprema Personalidade de Deus, Krishna, entrou pessoalmente. Grandes sábios, meditadores e devotos constantemente mantêm a forma do Senhor dentro do coração, ou vêem a forma do Senhor como Deidade nos templos; assim, ficam liberados de toda contaminação material e no fim do corpo entram no Reino de Deus. Essa perfeição é possível simplesmente por manter a forma do Senhor dentro da mente. Mas no caso de Aghasura, a Suprema Personalidade de Deus entrou. A posição de Aghasura era portanto maior do que a do devoto ordinário ou dos grandes yogis.

Maharaja Parikshit, que estava concentrado em ouvir os passatempos transcendentais do Senhor Krishna (que salvou a vida de Maharaja Parikshit quando estava no ventre de sua mãe), ficou mais e mais interessado em ouvir sobre Ele. E assim ele indagou do sábio Shukadeva Goswami, que recitava o Srimad Bhagavatam perante o rei.

O rei Parikshit ficou um pouco em dúvida para entender porque a matança do demônio Aghasura não foi discutida por um ano, até depois que os meninos alcançaram a idade pauganda. Maharaja Parikshit foi muito inquisitivo para aprender isso, porque ele tinha certeza que um incidente assim era devido ao trabalho das diferentes energias de Krishna.

Geralmente, os kshatriyas ou classe administrativa estão sempre ocupados com seus assuntos políticos, e eles têm muito pouca chance de ouvir sobre os passatempos transcendentais do Senhor Krishna. Mas enquanto Maharaja Parikshit ouvia os passatempos transcendentais, ele se achava muito afortunado porque ouvia de Shukadeva Goswami, a maior autoridade do Srimad Bhagavatam. Solicitado dessa forma por Maharaja Parikshit, Shukadeva Goswami continuou a falar sobre os passatempos transcendentais do Senhor Krishna no assunto de Sua forma, qualidade, fama e parafernália.


Assim termina o significado Bhaktivedanta do Capítulo Doze de Krishna, "Matança do Demônio Aghasura".
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Questionário sobre o Capítulo 12:

1 - Refletir sobre a cena de Krsna andando com seus amigos pastorzinhos. Conte esta história para alguém.

2 - Pense sobre os três tipos de realizações de Deus (Brahman, Paramatma e Bhagavan). Agora reflita sobre a posição dos habitantes de Vraja e a relação deles com Krsna.

3 - Quem eram os irmãos de Aghasura. Por que ele queria se vingar de Krsna? Qual era o seu poder místico e qual era sua forma neste passatempo?

4 - Analise a atitude dos pastorzinhos ao entrarem na boca do demônio.

5 - O que aconteceu antes da morte deste demônio?

6 - Qual foi a reação dos semideuses diante da atitude de Krsna?

7 - Qual foi o destino último deste demônio?  Seja sincera e diga se você acha justa esta atitude de Krsna.

8 - Por que o rei Pariksit é citado dentro deste capítulo.

9 - Você consegue identificar este anartha na sua vida?

Krsna a Suprema Personalidade de Deus - Capítulo 11 - Matança dos Demônios Vatsasura e Bakasura

Quando as duas árvores arjuna caíram no chão, com um estrondo parecido com a queda de raios, todos habitantes de Gokula, inclusive Nanda Maharaja, foram imediatamente para o local. Eles ficaram muito abismados ao verem como as duas árvores enormes caíram repentinamente. Porque não acharam nenhuma razão para a queda delas, ficaram intrigados. Quando viram o bebê Krishna amarrado no pilão de madeira com as cordas de Yashoda, começaram a pensar que aquilo foi causado por algum demônio. Senão, como era possível? Ao mesmo tempo, eles estavam muito perturbados porque esses incidentes incomuns sempre aconteciam com o bebê Krishna. Enquanto os pastores de vacas mais velhos contemplavam dessa forma, as crianças que brincavam ali contaram para os adultos que as árvores caíram porque Krishna puxou o pilão de madeira com as cordas nas quais estava amarrado. "Krishna passou no meio das duas árvores", eles explicaram, "o pilão de madeira estava caído e ficou preso entre as duas árvores. Krishna começou a puxar a corda, e as árvores caíram. Quando as duas árvores caíram, dois homens muito brilhantes saíram das árvores, e começaram a falar com Krishna".

A maioria dos pastores adultos não acreditou na afirmação das crianças. Eles não podiam acreditar que essas coisas eram possíveis. Alguns deles, entretanto, acreditaram e disseram a Nanda Maharaja, "seu filho é diferente das outras crianças. Ele pode ter feito isso". Nanda Maharaja começou a sorrir, ao ouvir sobre as habilidades extraordinárias de seu filho. Ele foi em frente e desatou o nó para soltar seu filho prodigioso. Depois de ser solto por Nanda Maharaja, Krishna foi pego no colo pelas gopis mais velhas. Elas O levaram para o quintal da casa e começaram a bater palmas, e elogiar Suas atividades maravilhosas. Krishna começou a bater palmas junto com elas como uma criança ordinária. O Supremo Senhor Krishna, completamente controlado pelas gopis, começou a cantar e dançar como uma marionete em suas mãos.

Às vezes, mãe Yashoda costumava pedir para Krishna trazer uma prancha de madeira para ela sentar. Apesar da prancha de madeira ser muito pesada para uma criança carregar, mesmo assim Krishna de algum jeito conseguia trazê-la para Sua mãe. Às vezes, durante a adoração a Narayana, Seu pai pedia para Ele trazer seus chinelos de madeira, e Krishna, com muita dificuldade, punha os chinelos em Sua cabeça e os levava a Seu pai. Quando pediam para Ele levantar algum objeto pesado e Ele não conseguia levantá-lo, simplesmente mexia Seus braços. Desse modo, diariamente, em cada momento, Ele era o reservatório de prazer de Seus pais. O Senhor exibiu essas atividades infantis para os habitantes de Vrindavana porque Ele queria mostrar aos grandes filósofos e sábios que procuram pela Verdade Absoluta como a Suprema Verdade Absoluta Personalidade de Deus é controlada e sujeita aos desejos de Seus devotos puros.


Certo dia, um vendedor de frutas veio à casa de Nanda Maharaja. Quando ouviu a chamada do vendedor, "se alguém quiser frutas, por favor, venha e as compre de mim"! O bebê Krishna imediatamente pegou um punhado de grãos e foi para conseguir trocar por frutas. Naquela época, o intercâmbio comercial era por meio de permuta; assim, Krishna deve ter visto Seus pais trocarem frutas e outras mercadorias com a permuta de grãos, por isso Ele imitou. Porém, as palmas de Suas mãos eram muito pequenas, e Ele não tomou muito cuidado para segurar direito, assim os grãos caíam pelo caminho. O vendedor que veio vender frutas viu isso e ficou muito fascinado com a beleza do Senhor, por isso ele aceitou imediatamente os poucos grãos que sobraram nas palmas das mãos Dele, e encheu Suas mãos com frutas. Nesse meio tempo, o vendedor viu que sua cesta de frutas ficou completamente cheia de jóias. O Senhor é quem concede todas as bênçãos. Se alguém der algo ao Senhor, não é perdedor; ele é ganhador um milhão de vezes a mais.

Certo dia, o Senhor Krishna, o libertador das árvores arjuna gêmeas, brincava com Balarama e outras crianças na margem do Yamuna, e porque o período da manhã já estava no fim, Rohini, a mãe de Balarama, foi chamá-Los para voltarem à casa. Mas Balarama e Krishna estavam tão entretidos na brincadeira com Seus amigos que não quiseram voltar para casa; Eles simplesmente Se absorveram mais ainda na brincadeira. Quando Rohini não conseguiu trazê-Los de volta, voltou para casa e mandou mãe Yashoda chamá-Los novamente. Mãe Yashoda tinha tanto afeto por seu filho que logo quando saiu para chamá-Lo de volta para casa, seus seios se encheram de leite. Ela gritou alto: "Meu querido filho, por favor, venha para casa. Já passou Sua hora de almoço". Então ela disse: "Meu querido Krishna, ó meu querido filho com olhos de lótus, por favor, venha e mame em meu seio. Você já brincou bastante. Você deve estar com muita fome, meu querido filhinho. Você deve estar cansado de brincar por tanto tempo". Ela também chamou Balarama assim: "Meu querido, a glória de Sua família, por favor, venha com Seu irmão mais novo Krishna imediatamente. Você está brincando desde cedo, e Você deve estar muito cansado. Por favor, venha e tome Seu almoço em casa. Seu pai Nanda Maharaja espera por Você. Ele precisa comer, por isso Você precisa vir para que ele possa comer".

Quando Krishna e Balarama ouviram que Nanda Maharaja esperava por Eles e não podia comer seu almoço na ausência Deles, Eles começaram a voltar. Seus outros companheiros reclamaram: "Krishna vai nos deixar justamente no ponto onde nossa brincadeira está no auge. Na próxima vez, não vamos deixá-Lo sair".

Seus amigos então ameaçaram não deixá-Lo brincar mais com eles. Krishna ficou com medo, e em vez de ir para casa, voltou para brincar novamente com os meninos. Nesse momento, mãe Yashoda ralhou com as crianças e disse para Krishna: "Meu querido Krishna, Você pensa que é um menino de rua? Que não tem casa? Por favor, venha para Sua casa! Vejo que Seu corpo ficou muito sujo porque brincou desde a manhã cedo. Agora, venha para casa e tome Seu banho. Além do mais, hoje é a cerimônia do Seu aniversário; por isso, Você tem que voltar para casa e dar vacas em caridade aos brahmanas. Você não viu que Seus amiguinhos foram enfeitados com adereços por suas mães? Você também tem que ficar limpo e vestido com uma bela roupa e adereços. Por favor, então, venha para casa, tome Seu banho, vista-Se bem, e depois Você poderá ir brincar novamente".

Assim, mãe Yashoda chamou o Senhor Krishna e Balarama de volta, Eles que são adorados por grandes semideuses como o Senhor Brahma e o Senhor Shiva. Ela pensava Neles como se fossem seus filhos.

Quando os filhos de mãe Yashoda, Krishna e Balarama, chegaram à casa, ela Os banhou muito bem e Os vestiu com adereços. Então, ela chamou os brahmanas, e por meio de seus filhos, deu muitas vacas em caridade pela ocasião do aniversário de Krishna. Dessa forma, ela realizou a cerimônia do aniversário de Krishna em casa.

Depois desse incidente, todos os membros mais velhos da comunidade de pastores de vacas se reuniram, e Nanda Maharaja presidiu a sessão. Eles começaram a consultar entre si como parar as grandes perturbações em Mahavana por causa dos demônios. Nessa reunião, Upananda, irmão de Nanda Maharaja, estava presente. Ele era considerado sábio e experiente, e era benquerente de Krishna e Balarama. Ele era um líder, e começou a discursar na reunião como se segue: "Meus queridos amigos! Precisamos sair daqui agora e ir para outro lugar porque percebemos continuamente que grandes demônios vêm aqui para perturbar a situação pacífica, e tentam principalmente matar as crianças pequenas. Considerem Putana e Krishna. Foi somente pela graça do Senhor Hari que Krishna foi salvo das mãos de uma demônia tão grande. Em seguida, o demônio furacão levou Krishna embora para o céu, mas pela graça do Senhor Hari, Ele foi salvo, e o demônio caiu sobre uma laje de pedra e morreu. Muito recentemente, essa criança brincava entre duas árvores, e as duas árvores caíram violentamente, mesmo assim, a criança não sofreu qualquer ferimento. Portanto, o Senhor Hari O salvou novamente. Imaginem a calamidade se essa criança ou qualquer outra criança que brincasse com Ele fosse esmagada pelas árvores que caíram! Devemos considerar todos esses incidentes, e concluir que este lugar não é mais seguro. Vamos sair daqui. Todos nós fomos salvos de muitas calamidades pela graça do Senhor Hari. Agora, precisamos ser cautelosos e deixar este lugar e residir onde possamos viver em paz. Eu acho que todos nós devemos ir para a floresta conhecida como Vrindavana, agora mesmo, lá, as plantas e ervas acabaram de crescer. É um lugar muito adequado para campo de pastagem de nossas vacas, e nós e nossas famílias, as gopis e seus filhos, podemos viver pacificamente ali. Perto de Vrindavana, fica a colina Govardhana, que é muito bela, e possui grama fresca e forragem para os animais, assim não haverá dificuldade em viver lá. Por isso, eu sugiro que partamos imediatamente para esse belo lugar, porque não há necessidade de perdermos mais tempo. Vamos preparar nossos carros imediatamente, e, se quiserem, vamos partir, e manteremos todas as vacas na frente".

Ao ouvirem o discurso de Upananda, todos os pastores de vacas concordaram imediatamente. "Vamos embora imediatamente". Todos então carregaram toda sua mobília e utensílios domésticos nos carros e se prepararam para ir a Vrindavana. Todos os idosos da vila, as crianças e mulheres foram acomodados em assentos, e os pastores de vacas armados com arcos e flechas seguiam os carros. Todas as vacas e touros juntos com seus bezerros foram colocados na frente, e os homens rodeavam os rebanhos com seus arcos e flechas e começaram a soar seus chifres e clarins. Dessa forma, com um som tumultuoso, eles partiram para Vrindavana.


Quem pode descrever as donzelas de Vraja? Todas elas estavam sentadas nos carros e estavam muito bem vestidas com adereços e saris suntuosos. Elas começaram a cantar os passatempos da criança Krishna como de costume. Mãe Yashoda e mãe Rohini estavam sentadas em um carro separado, e Krishna e Balarama estavam sentados em seus colos. Enquanto as mães Rohini e Yashoda estavam no carro, falavam com Krishna e Balarama, e por sentir o prazer dessas conversas, elas ficaram muito, muito belas.

Assim, quando chegaram a Vrindavana, onde todos vivem eternamente, com muita paz e felicidade, rodearam Vrindavana e mantiveram todos os carros juntos. Depois que viram a bela aparência de Govardhana na beira do rio Yamuna, começaram a construir seus locais de residência. Enquanto pessoas de mesma idade andavam juntas e crianças falavam com seus pais, os habitantes de Vrindavana se sentiram muito felizes.

Nesse momento, Krishna e Balarama ficaram encarregados dos bezerros. A primeira responsabilidade dos meninos pastores de vacas era tomar conta dos bezerros pequenos. Os meninos são treinados dessa forma desde o começo de sua infância. Assim, junto com outros pequenos meninos pastores de vacas, Krishna e Balarama foram para o campo de pastagem, e tomaram conta dos bezerros e brincaram com Seus amiguinhos. Enquanto cuidavam dos bezerros, às vezes, os dois irmãos tocavam Suas flautas. E outras vezes Eles brincavam com frutas amalaka e frutas bael, do mesmo modo como crianças pequenas brincam com bolas. Outras vezes, Eles dançavam e faziam tinir Seus guizos de tornozelo. Às vezes, Eles Se faziam de touros e vacas por Se cobrirem com cobertores. Assim, Krishna e Balarama brincavam. Os dois irmãos também costumavam imitar os sons de touros e vacas e brincavam de tourada. Às vezes, Eles costumavam imitar os sons de vários animais e pássaros. Dessa forma, Eles desfrutavam de Seus passatempos de infância aparentemente como crianças mundanas comuns.

Certa vez, quando Krishna e Balarama brincavam na margem do Yamuna, um demônio chamado Vatsasura assumiu a forma de bezerro e foi até lá com a intenção de matar os irmãos. Como assumiu a forma de um bezerro, o demônio pôde se misturar com os outros bezerros. Krishna, entretanto, notou isso especificamente, e Ele contou a Balarama imediatamente sobre a entrada do demônio. Os dois irmãos então o seguiram e o capturaram com astúcia. Krishna segurou o demônio bezerro pelas duas patas traseiras e rabo, sacudiu-o em volta severamente e o atirou em cima de uma árvore. O demônio perdeu sua vida e caiu de cima da árvore no chão. Quando o demônio caiu morto no chão, todos os amigos de Krishna O congratularam: "Bem feito, bem feito", e os semideuses no céu começaram a jogar chuvas de flores com grande satisfação. Dessa forma, os mantenedores da criação inteira, Krishna e Balarama, costumavam cuidar dos bezerros na manhã todos os dias, e assim Eles desfrutavam Seus passatempos infantis como meninos pastores de vacas em Vrindavana.

Todos os meninos pastores de vacas iam diariamente à beira do rio Yamuna para dar de beber a Seus bezerros. Geralmente, quando os bezerros bebiam a água do Yamuna, os meninos também bebiam. Um dia, depois de beber, quando estavam sentados na margem do rio, eles viram um animal enorme que parecia algo como um pato e era grande como uma colina. Sua cabeça era forte como um raio. Quando viram esse animal incomum, ficaram com medo dele. O nome dessa fera era Bakasura, e ele era amigo de Kamsa. Ele apareceu na cena de repente e imediatamente atacou Krishna com seu bico pontudo e afiado, e O engoliu rapidamente. Quando Krishna foi engolido dessa forma, todos os meninos, liderados por Balarama, ficaram quase sem respiração, como se tivessem morrido. Mas enquanto o demônio Bakasura engolia Krishna, sentiu uma sensação de fogo ardente em sua garganta. Isso foi por causa do esplendor do brilho de Krishna. O demônio expeliu Krishna rapidamente e tentou matá-Lo por bicá-Lo com seu bico. Bakasura não sabia que apesar de Krishna fazer o papel de um filho de Nanda Maharaja, mesmo assim Ele ainda é o pai original do Senhor Brahma, o criador do universo. O filho de mãe Yashoda, que é o reservatório de prazer de todos os semideuses e que é o mantenedor das pessoas santificadas, pegou nos bicos do grande pato gigantesco, e, na frente de Seus amigos meninos pastores de vacas, bifurcou a boca dele, da mesma forma como uma criança pequena bifurca uma folha de grama. Do céu, os habitantes dos planetas celestiais jogaram chuvas de flores como a cameli, a mais fragrante de todas as flores, como um sinal de suas congratulações. Acompanhava a chuva de flores, uma vibração de clarins, tambores e búzios.


Quando os meninos viram a chuva de flores e ouviram os sons celestiais, ficaram maravilhados. Quando viram Krishna, todos eles, inclusive Balarama, ficaram tão contentes que parecia que tinham recuperado sua própria fonte de vida. Logo que viram Krishna indo em direção a eles, eles um por um abraçaram o filho de Nanda e O apertavam em seus peitos. Depois disso, eles reuniram todos os bezerros que estavam sob seus cuidados e começaram a voltar para casa.

Ao voltarem para suas casas, começaram a falar sobre as atividades maravilhosas do filho de Nanda. Quando todas as gopis e pastores de vacas ouviram a história dos meninos, sentiram grande felicidade porque naturalmente amavam muito Krishna, e ao ouvir sobre Suas glórias e atividades vitoriosas, ficaram com mais afeição ainda por Ele. Por pensar que a criança Krishna foi salva da boca da morte, eles começavam a ver Sua face com grande amor e afeição. Eles sofriam muitas ansiedades, mas não podiam virar suas faces do campo de visão de Krishna. As gopis e os homens começaram a confabular entre si sobre como a criança Krishna foi atacada de tantas formas e tantas vezes por tantos demônios, e mesmo assim, os demônios foram mortos e Krishna não foi ferido. Eles continuaram a confabular entre si sobre como demônios tão grandes em corpos tão aterrorizantes atacaram Krishna para matá-Lo, mas pela graça de Hari, eles não puderam causar nem mesmo um pequeno ferimento. Em vez disso, eles morreram como pequenas moscas no fogo. Desse modo, eles lembraram as palavras de Garga Muni que predisse, em virtude de seu vasto conhecimento dos Vedas e Astrologia, que este menino seria atacado por muitos demônios. Agora eles viam realmente que isso estava acontecendo, palavra por palavra.

Todos os pastores de vacas mais velhos, inclusive Nanda Maharaja, costumavam conversar sobre as atividades maravilhosas dos Senhores Krishna e Balarama, e estavam sempre tão absortos nessas conversas que esqueciam as três misérias da existência material. Esse é o efeito da Consciência de Krishna. O que foi apreciado cinco mil anos atrás por Nanda Maharaja ainda pode ser apreciado por pessoas em Consciência de Krishna simplesmente por falarem sobre os passatempos transcendentais de Krishna e Seus companheiros.

Dessa maneira, tanto Balarama quanto Krishna desfrutaram Seus passatempos de infância, Eles imitavam os macacos do Senhor Ramachandra, que construiu uma ponte sobre o oceano, e Hanuman, que pulou sobre a água até o Ceilão [atual Sri Lanka]. E Eles costumavam imitar esses passatempos juntos com Seus amigos e assim passaram muito felizes Sua vida infantil.


Assim termina o significado Bhaktivedanta do Capítulo Onze de Krishna, "Matança dos Demônios Vatsasura e Bakasura".
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Questionário sobre o Capítulo 11:

1 - O que acontece logo após a saída dos semideuses Nalakuvara e Manigriva?

2 - Por que quando Krsna era bem pequeno, ele trazia objetos pesados para seus pais, como por exemplo, os chinelos o banquinho etc.

3 - Conte a história da vendedora de frutas para alguém e veja como a pessoa reage diante desta linda potência de Krsna.

4 - Qual foi o argumento de mãe Yasoda para fazer Krsna e Balarama voltarem para casa, enquanto estavam brincando com os amiguinhos? Reflita sobre estas relações familiares e a aplicação destes conceitos em nosso dia a dia.

5 - Depois do aniversário de Krsna, os vaqueiros se reuniram e sobre o que conversaram? O que decidiram?

6 - Descreva as donzelas de Vraja. Compare com as mulheres de hoje em dia.

7 - Qual foi a tarefa que Krsna e Balarama receberam quando estavam mais crescidinhos? Pense um pouco sobre os deveres de um Vaisya.

8 - Qual é a forma do demônio Vatsasura? Que anartha ele representa? O que Krsna fez com ele? 
É fácil para você destruir este impedimento para o humor de Vraja?

9 - Qual é a forma do demônio Bakasura? Que anartha ele representa? O que Krsna fez com ele? 
É fácil para você destruir este impedimento para o humor de Vraja?

10 - Qual é o efeito de conversar sobre os passatempos de Krsna, segundo Srila Prabhupada?